segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Estações

As pessoas passam pela nossa vida como passam as estações pelo ano.
Algumas trazem a beleza colorida da primavera; outras, a melancolia do outono. Algumas emanam o calor do verão; outras, o frio do inverno.
A diferença é que, ao contrário das pessoas, as estações sempre voltam...

"...12 horas há mais de uma semana
piscam as luzes do video-cassete.
12 meses lá se vai o ano
e o outono parece não passar..."
(Na real - Engenheiros do Hawaí)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Amanhecer

Acordou com a impressão de que aquele seria um dia difícil. Na verdade não acordou, porque nem chegou a dormir. Passou a noite se revirando na cama, remoendo lembranças, reconstruindo cenas e palavras na mente, lamentando-se por velhos erros. Assim que o relógio despertou lembrou-se que a vida continuava, embora seu coração já pedisse descanso. Chegou a sentar-se na cama, a tocar o chão frio com os pés descalços. Tentou buscar no fundo de sua alma algo que o motivasse a encarar aquele dia, mas não encontrou. A luz do sol que começava a entrar pela janela o deixava tonto, e achava terrível o fato de que, quando abrisse a porta, veria que o mundo lá fora ainda era mesmo, mas que dentro de si sentia que o mundo havia acabado na última noite. Deu uma volta pelo quarto, colocou um cd dos “Smiths” para tocar e voltou para a cama. Do outro lado do quarto viu seus livros espalhados pelo chão. Lembrou-se um trecho de Werther, de Goethe: “Deus sabe quantas são as ocasiões em que me deito na cama com o desejo, e às vezes a esperança, de não tornar a acordar. E de manhã abro os olhos, revejo o sol e me sinto miserável...” Péssima hora para se lembrar desse livro. Por um momento cogitou tomar a mesma atitude do personagem. Um tiro na cabeça talvez fosse a solução. Mas talvez não. De qualquer forma ele não tinha uma arma em casa. Decidiu apenas não se levantar e fingir que estava morto por um dia. Haveria muito tempo para viver depois...

domingo, 8 de novembro de 2009

Pensamentos sonoros



Espero alguém dizer algo.
Ninguém diz nada...
Permaneço calado...
E o som dos meus pensamentos me ensurdece...
Alguém sabe o que diz o silêncio?
Quantos significados pode ter uma palavra não dita...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Exageros poéticos

O poeta é um exagerado. E às vezes é nisso que consiste a poesia, em exagerar. Portanto não se assustem. Escrever poesia é expressar um sentimento, então o poeta precisa exagerá-lo para que o leitor consiga ter pelo menos uma idéia do que é, mas só o poeta sabe a intensidade dos seus sentimentos, e isso não pode ser transferido.
Quando se escreve, em uma poesia, sobre uma mulher, ela não é simplesmente bela, é perfeita, divina, inalcançável...As dores deixam de ser sentimentos normais do ser humano e se tornam desgraças insuportáveis, assim como a alegria passageira se torna a visão do paraíso.
Poesia não se lê, se sente. É necessário se colocar na posição do poeta e tentar sentir o que ele sentiu. Não se deve condenar um poeta pelo que ele escreve, não se critica uma poesia se você nunca sentiu o que o poeta quis expressar, mas um dia na sua vida você sentirá e compreenderá. E talvez quando você estiver só, quando todos estiverem dormindo, quando não houver ninguém para ouvir sobre o que você sente, você também escreverá uma poesia e, ao lê-la, se assustará com seus próprios exageros.

sábado, 5 de setembro de 2009

Razão dos versos tristes

Certa vez uma amiga perguntou-me por que a tristeza é sempre tema das minhas poesias, por que eu não escrevia sobre a alegria de vez em quando...
É simples: Gosto de escrever sobre o que existe.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Enquanto eu morria

Quem esteve diante de mim enquanto eu dormia?
Será que disse algo enquanto eu não ouvia?
Sentiu compaixão enquanto eu sofria?
Estava preocupada ou simplesmente fingia?
Será que chorava ou cruelmente sorria?
Pegou em minha mão enquanto eu não sentia?
Terá dito meu nome ou nem sequer sabia?
Terá feito uma prece enquanto eu morria?
Lembranças do passado. Angústia. Agonia...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Enquanto não consigo dormir

A melancolia do entardecer me conforta
Quando não há trevas nem luz
Apenas a expectativa de uma lua ainda oculta
E a lembrança de um sol já posto.
Se estivesse aqui, diria o quanto você faz falta
Não sei...acho que não diria nada
Apenas observaria, quieto,calado
seu rosto sério, mas delicado.
E se eu fosse um poeta te faria uma poesia
E então você sorriria, eu imagino...
Mas não sou poeta...
Só o que posso fazer é observar a noite que cai
lentamente
Sozinho...
Até cobrir todo o horizonte
Limitando meu campo de visão.
Ouço o silêncio noturno que me ensurdece
Relembro o que resta de um passado inexistente
E não vejo nada do que me orgulhar.
Só o que posso fazer é observar a noite que passa
Lentamente
Sozinho...
Enquanto não consigo dormir...