sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Velho aos 20 e poucos

Se queres ter uma vida longa experimentes viver sozinho. Garanto-lhe que vinte anos te parecerão uma eternidade.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Poema esquecido

Eu quero um poema que celebre os mortos
Uma ode aos anjos caídos, sujos e tortos.
Contra as regras e dogmas, normas e leis
Que una brancos e negros, heteros e gays.

Eu quero um poema que celebre a imperfeição
de uma vida sem sentido, um ser sem coração.
Que enalteça as derrotas, as lágimas caídas
que relembre as desgraças, reabra as feridas.

Eu quero um poema que seja lido em funerais
Um hino dos fracos e pobres, de todos mortais.
que seja o tradutor de uma dor cosmopolita,
que traga em si o penar de cada alma aflita.


Mas o poema que eu quero jamais será lido,
pois, ao fim, até o poeta o haverá esquecido.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Clausura

Tanto tempo busquei respostas para as perguntas erradas
Que já nem sei mais o que procuro,
Usei todo o meu tempo para desconstruir minhas escadas
E acrescentar mais tijolos no muro.

Algumas vezes tenho vontade de caminhar do outro lado
Mas meus olhos já não querem a luz.
Vivendo sempre sozinho e permanentemente calado,
A morte em silêncio melhor se produz.

Talvez seja uma defesa
A misantropia,
A descrença...

Ou é só uma fraqueza?
Patologia...
Doença?

domingo, 13 de março de 2011

Drinque com a morte

Outra vez me sento sozinho à mesa,
Há muito não recebo um amigo sequer.
Deixo na casa apenas uma luz acesa,
De repente ouço uma voz de mulher.

Eu sozinho, em silêncio, calado
-Seria essa mais uma noite comum-
Até que a morte surge ao meu lado
E se serve do meu copo de rum.

_Traga uma garrafa de outra bebida,
Diz,se for amarga um tanto melhor,
Pra te lembrar que nessa pobre vida
O que é ruim sempre pode ser pior.

_Agradeço que tenha vindo por mim,
Pois por ti esperava, amada senhora.
Alegro-me, pois posso ver que enfim
É chegada minha tão desejada hora.

_Lamento, mas assim não pode ser...
Por minha vontade eu até o levaria.
Mas infelizmente devo lhe dizer,
Que hoje,meu amigo, não é o seu dia.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

dos Anjos

Pra revelar a podridão e a imundície
Humana
Como abutres e urubus ou como porcos
Na lama
Pra espalhar toda angústia e revolta
O pessimismo
Celebrar a solidão, a dor, a tristeza
O ceticismo
Pra revelar a falsidade dessa gente
Ingrata
O valor do seu amor calculado em ouro
E prata
Pra tingir esse mundo com o seu sangue
Vermelho
E desvendar a imperfeição de sua imagem
No espelho
E alimentar toda essa dor existente
Em mim
Implorar ao sol de cada dia que nasce,
Meu fim.

domingo, 19 de setembro de 2010

A partida

Ela partiu
Sem olhar para trás
Porque não se importava com o que estava deixando.
Partiu...
Partindo tudo que havia.
Sem sombra de arrependimento.
Com um certo alívio
e com um sorriso no rosto.

E ele ficou
Sem olhar para si
Pois tinha medo do que iria ver.
Ficou...
Ficando com o que nunca existiu.
Sem sombra pra descansar
Com um fardo enorme
e com a tristeza no rosto.

E um dia ele partirá
Sem olhar para trás
Porque não há de quem se despedir.
Partirá...
Partindo tudo que lhe restar.
Sem sombra de esperança.
Com um certo pesar
e com lágrimas no rosto.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Poema inadequado

Viver só é mais fácil do que me adequar
Aos seus dogmas sem sentido
Sentimentos reprimidos
Às verdades inventadas para nos enganar.

Seu sorriso simulado já não pode disfarçar
Suas noites mal dormidas
Sua raiva escondida
Sua angústia incontida a te acompanhar.

Tanta coisa dita sem ninguém te escutar
Suas chances perdidas
A alegria esquecida
E a solidão que sempre vem lhe visitar.

“e de pensar nisso tudo, eu, homem feito,
Tive medo e não consegui dormir....”
(Teatro dos vampiros - Legião Urbana)